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SOS Saúde: seguros médicos sobem muito acima da inflação

No acumulado entre 2013 e 2018, os serviços médicos brasileiros subiram quase 80%.

9 de julho de 2018

A situação dos planos de saúde no Brasil é tão obscura quanto um diagnóstico de virose. Você não sabe qual é a doença, nem qual é o vírus, mas sabe que precisa de tratamento imediato.

No acumulado entre 2013 e 2018, os serviços médicos brasileiros subiram quase 80%. Enquanto o preço dos convênios individuais aumentou 92,59%, os planos empresariais, atingiram quase o dobro, 158,35%.

Mesmo com uma possível inflação abaixo da atual meta de 4,5%, as operadoras de planos de saúde desclassificaram esse índice e anunciaram um aumento exorbitante sem qualquer clareza sobre os critérios adotados e com o apoio de órgãos públicos que funcionam à deriva das necessidades básicas do cidadão.

Os planos empresariais, que representam 67% do setor, devem sofrer um reajuste de 19%, segundo dados da consultoria Aon, especializada na área de saúde e no setor de seguros.

O argumento das operadoras são os altos custos com novas tecnologias e tratamentos de alta complexidade, o envelhecimento da população e o “uso excessivo” dos convênios.

Para minimizar os reflexos do aumento, que já é uma das maiores despesas no orçamento da firma, atrás apenas da folha de pagamento e dos impostos, o empresário tende a optar por planos inferiores, com poucos benefícios e descontos maiores na folha do funcionário.

No caso dos planos individuais, Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), autorizou no último dia 27, um aumento de 10% (o triplo da atual inflação corrente no país), com base na variação dos custos médicos hospitalares dos planos empresariais.

Sem escolha, o consumidor que utiliza esses serviços não terá outra opção senão migrar para o Sistema Único de Saúde (SUS), e se juntar aos outros 160 milhões de brasileiros que precisam de atendimento, mas morrem diariamente em filas desumanas por falta de aparelhos, remédios, profissionais e, principalmente respeito à vida.

O país está doente e os sintomas são nítidos: corrupção, desigualdade social, jogo de interesses, deficiência legal e descaso vexatório com a saúde pública. O quadro clínico é desesperador.

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