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Setor da construção começa a dar sinais de estabilização, estimulado pela retomada de obras paradas e perspectivas melhores para a economia

5 de agosto de 2016

Em entrevista concedida à Construção Mercado, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, avalia que, diante dos sinais de melhora no humor do mercado, “já estamos caminhando no fundo do poço”. Depois da retração profunda registrada nos últimos meses, a indústria da construção tem apresentado sinais de estabilização, estimulada pela retomada de obras paradas e perspectivas melhores para a economia.

Recentemente o Governo Federal anunciou planos de retomar aproximadamente duas mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estavam paralisadas ou inacabadas. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, anunciou a retomada das obras do Minha Casa Minha Vida na faixa 1 que estavam paralisadas há meses. Além de flexibilizar as regras para concessão de crédito, a Caixa Econômica Federal declarou nesta semana que pretende entregar três milhões de unidades do MCMV até o final do ano.

Martins também observou que a agenda da construção, com itens que o setor considera fundamentais para a retomada, segue avançando, mas a passos lentos dentro do governo. Para Martins, a questão ainda emperra na interinidade do governo. “Nossa interlocução com o governo é muito boa, a equipe técnica impressiona, mas a velocidade das negociações tem deixado a desejar”, afirmou.

Infraestrutura

O presidente da CBIC lamenta o atual estado da infraestrutura do Brasil, que considera um desastre. Estudos apontam que apenas para manter a infraestrutura existente seria preciso investir 3% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente. Em 2015, o País investiu parcos 1,8%. “Não estamos sequer conseguindo manter o que já existe, que está se deteriorando”, observou. Para o Brasil crescer a níveis razoáveis calcula-se que seria preciso investir entre 5% a 7% do PIB.

Voltar a lançar

Confiante, Martins considera que, ao analisar os números de vendas e lançamentos no mercado imobiliário, o quadro sinaliza que estamos em um nível médio de estoques – considerando a série histórica. “Ou seja, basta os níveis de vendas começarem a se recuperar que já retornaremos ao ritmo normal. O mercado se autorregula.”

Visto que o ciclo produtivo da construção é horizontal, a expectativa é de que a reação do setor será muito rápida aos primeiros sinais de reativação da economia. “Somos os primeiros a responder a qualquer estímulo. Principalmente porque a capacidade ociosa é muito grande no momento.”

Fonte: http://construcaomercado.pini.com.br/

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