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Com mudança em governo, setor produtivo espera estabilidade

13 de maio de 2016

A estabilização da economia e a retomada de crescimento das vendas são os pontos comuns esperados pelo setor produtivo no Município de Uberlândia com a troca interina na Presidência da República oficializada no dia 12 de maio. Com a aprovação da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado, e o consequente afastamento dela por até 180 dias, período em que ela será julgada por crime de responsabilidade, Michel Temer será o presidente em exercício. O Jornal Correio de Uberlândia entrevistou representantes dos setores comercial, industrial e da construção civil para saber o que eles esperam do governo Temer e um ponto em comum apontado por eles é que somente o afastamento de Dilma não é garantia de que esses resultados virão.

O presidente da União das Empresas do Distrito Industrial (Unedi), José Humberto Resende, disse ver na mudança da presidência um ambiente de expectativa e incerteza, que se sobrepõe a um momento de insegurança e instabilidade. Entre as ações para que essa nova conjuntura dê certo, segundo ele, estão a redução das contas públicas e garantir segurança para os investidores. “Ainda é um governo de transição, mas que me parece encaminhado para ser efetivado. Ele precisa tomar essas ações desde agora”, afirmou.

A avaliação do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Sinduscon-TAP) é que o investidor só sentirá um ambiente estável quanto o Governo tiver novamente credibilidade. “A estabilidade vem com inflação e juros mantidos dentro dos patamares baixos e sem surpresas. O investidor precisa saber se terá possibilidade de retorno”, disse o presidente da entidade, Panayotes Tsatsakis. Ele acrescentou que a construção civil ainda conta com o programa Minha Casa, Minha Vida e não espera qualquer tipo de corte nessa área.

Essa mesma credibilidade econômica, de acordo com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia, faria o consumidor voltar a comprar. “O consumidor, hoje, tem medo de perder o emprego ou de contrair uma dívida, e deixou de gastar”, afirmou o presidente da CDL Cícero Novaes. A reportagem do CORREIO procurou ainda a Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), além do Sindicato Rural, mas não conseguiu contato com os diretores das entidades.

Avaliação técnica

Tanto no plano político quanto no econômico, segundo cientistas políticos, a crise não será resolvida apenas com o afastamento de Dilma Rousseff e a presidência interina de Michel Temer. Na visão de Leonardo Barbosa e Silva, a economia dá sinais de desgaste desde 2013 e é comum que problemas do tipo sejam resolvidos com, pelo menos, dois anos de ações efetivas.

“Não seria possível com Dilma (Rousseff), não vai ser com (Michel) Temer. Nós não conseguimos frear o processo de desindustrialização do País. É preciso voltar essa agenda desenvolvimentista e retomar a capacidade de autonomia no mercado externo”, disse. Ele ainda afirmou que a aposta do presidente empossado, é de menor intervenção do Estado, mas que é preciso contrabalancear, protegendo o mercado interno do capital internacional.

Na opinião do cientista político João Batista Domingues Filho, o ponto de partida do novo presidente não se mostrou promissor. “Há pouco tempo para realizar melhoras e o Ministério montado por ele é baseado no Congresso e não em técnicos”, disse.

REPERCUSSÃO

O Correio de Uberlândia procurou lideranças políticas do Município para que elas comentassem o afastamento de Dilma Rousseff e a presidência interina de Michel Temer. Confira o que eles disseram sobre a mudança na Presidência da República:

“Lamento que estejamos vivendo esse momento, que é uma violência contra a democracia no Brasil. Estou preocupado com o corte na área social, como os convênios para as UPAs Norte e Novo Mundo e espero que o novo governo não venha cortar. Temos um bom relacionamento com o PMDB que não é de hoje e vamos continuar respeitando as pessoas e partidos. Eu tenho um planejamento e estou muito seguro do que estou fazendo e continuarei entregando”.

GILMAR MACHADO (PT) – Prefeito de Uberlândia

“Esse é um momento muito importante para o País. O afastamento da presidente Dilma é uma vitória da democracia e da legalidade. Mostrou que o Congresso escuta e respeita a vontade do povo brasileiro, que deve participar cada vez mais da política, se inteirando dos assuntos que influenciam sua vida”.

Odelmo Leão (PP) – Deputado federal

 

O deputado federal Weliton Prado (PMB) reafirma o seu posicionamento público favorável aos afastamentos da Presidente Dilma e do presidente da Câmara, Eduard Cunha, que já ocorreram. Para pacificar o País, o parlamentar defende também o afastamento do presidente interino Michel Temer, objetivando a realização de novas eleições e de uma Constituinte exclusiva para reforma política.

O Deputado Federal Tenente Lúcio (PSB) foi procurado pela reportagem do Correio de Uberlândia, mas não atendeu às ligações e a assessoria não deu retorno até o fechamento da edição.

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